segunda-feira, outubro 26, 2009

Eu sei que está com pressa…

O patrão da herdade, dono de um cavalo, outrora trabalhador e diligente, mas agora já muito velho, percebendo que a sua energia tinha chegado ao fim, chamou-o e disse-lhe:

- Infelizmente, estás muito velho e já não podes servir-me, portanto tenho de te dispensar. Eu não sou ingrato e, em memória dos bons anos que serviste, vou dar-te, ainda, uma última oportunidade. Vai caçar e vê se consegues, trazer aqui para a herdade, o valente leão da floresta e terás abrigo e comida para o resto dos teus dias.
O cavalo, pesaroso, lá tomou o rumo da floresta. Ao chegar encontrou uma raposa, esta ao perceber o desalento do cavalo, perguntou-lhe:
- Cavalo, porque estás tão triste?
- Fidelidade e gratidão nunca andaram juntas, depois de anos de trabalho o meu patrão dispensou-me – respondeu o cavalo. Para parecer agradecido, o que em verdade nunca foi, disse-me que se lhe levasse o leão da floresta, ficaria com abrigo e comida até ao fim dos meus dias, pois ele bem sabe que eu não serei já capaz de tremendo feito.
- Eu consigo resolver o teu problema, contudo deves ter paciência – retorquiu a raposa.
- Como consegues tu resolver? - Perguntou o cavalo.
- Simples, deita-te no chão e espera. Trarei o leão aqui. Não te mexas e faz-te de morto e espera pelo meu sinal, vais ver que tudo dará certo.
O cavalo acabou por concordar, fazendo o que a raposa lhe sugeriu.Ao encontrar o leão no interior da floresta, a raposa inquiriu:
- Sei que estás com fome. Gostarias de fazer de um cavalo uma abundante refeição?
Vendo que a fera salivava, a raposa disse que o levaria até junto dele.
Os dois, chegados ao cavalo deitado, observaram-no por um instante. Então, disse a raposa:
— Não deverá ser nada apetitoso devorá-lo aqui. Mas se te deitares ao lado dele, eu amarro-o à tua cauda, então, poderás arrastá-lo para a floresta e comê-lo em paz.
Depressa a raposa atou a cauda do cavalo ao leão, mas de forma que lhe prendeu também as patas traseiras, impedindo-o assim de andar. Após estar completa esta minuciosa e astuciosa operação, a raposa ordenou:
- Cavalo, levanta-te e vai de galope até à herdade, não pares até lá chegares!
O cavalo levantou-se e deu nos cascos, arrastando o leão pela ravina que se vendo enganado, rugiu e esperneou.
Ao chegar à herdade, viu o patrão agradado com o feito, aproveitando o ensejo para lhe dizer:
-Aqui está o leão, como combinámos.
Como prometido, terás água, comida e descanso pelo resto dos teus dias – respondeu o patrão.

Eu sei que está com pressa, porque necessita cada vez mais de caçar leões!

Mas, qualquer um, em qualquer lugar, seja idoso ou jovem, vai sendo, confrontado com empreendimentos difíceis de realizar, já para não falar de propostas desonestas, cheias de “gratidão”.
Você está suficientemente vigilante? Sabe encontrar as suas raposas?


[1] Texto livre do autor, contos de tradição oral, de autoria de Frau Katherina Viehmann

segunda-feira, novembro 10, 2008

Projecto Rua Java

Lacei-me, noutro desafio, desta vez não é um blog, mas um portal, portanto mais complexo, designado por Rua Java, www.ruajava.com.
O principal objectivo do portal é ser um espaço privilegiado, uma rua, de encontro de pessoas, que se interessam por programação de computadores, sejam experientes ou simplesmente curiosos e que possam, através desse meio, trocar ideias, dúvidas, partilhando entre si, saberes.
O portal já dispõe de fórum, alguns artigos, novidades e tutoriais, sendo os serviços completamente grátis para o utilizador, lá poderá inscrever a sua própria página pessoal ou blog.
Pode aproveitar o espaço para enviar os seus artigos ou apenas para retirar as suas dúvidas e, se não for especialista, começar a aprender programação, nunca é tarde, basta apenas um pouco de tempo.
Acredite, actualmente a programação encontra-se mais facilitada, face ao desenvolvimento de produtos, que são realmente fantásticos. Se for uma pessoa já com conhecimentos de programação, também vale a pena, porque os seus artigos terão visibilidade e poderá, se assim o entender, apoiar as pessoas no fórum.

Venha conhecer este novo espaço de partilha!

segunda-feira, novembro 03, 2008

O meu jaspe

Já algum tempo que a questão da empatia me fascina.
Descobri que a empatia é a pedra de toque do meu trabalho, o meu mineral raro, o meu jaspe, o que implica que quando não está presente tudo perde importância.
Assim, resolvi adquirir um conhecimento tão profundo quanto possível, numa procura incessante, sobre o quer esta “simples” palavra encerra, de modo a poder utilizar os seus conceitos, frequentemente na minha vida, profissional e não só.
Nesta conformidade, tenho efectuado uma aprendizagem importante do seu significado, da sua grandeza, tentando colocá-la ao serviço dos meus interlocutores, sempre que estou a trabalhar na minha nova profissão, sempre que estou a construir relacionamentos.
Compreendi que numa profissão, seja ela qual for, não basta saber fazer, não basta colocar os conhecimentos técnicos, também, sejam eles quais forem, ao serviço do nosso cliente, pessoa, empresa, se não soubermos em cada momento, utilizar empatia nos nossos relacionamentos.
Quando se vê, fala e, se escuta com o coração tudo fica mais fácil, qual auto-estrada da compreensão, de múltiplas vias, sem tráfego, sem semáforos ou constrangimentos, o fluxo da comunicação torna-se então importante e raro, podendo ser matizado numa multiplicidade de cores, semelhante às pedras raras, o que me fascina, pela sua simplicidade e beleza. Tal como o meu fascínio pelo jaspe.

domingo, setembro 30, 2007

Acabei

Sempre mantive um interesse feliz com a Sociologia, mais precisamente com a Psicologia Social, dado tratar-se de um amor de já algum tempo, uma verdadeira paixão…
Também em tempo, resolvi constringir este relacionamento (porque não queria que fosse só platónico) e assim, de peito feito, inscrevi-me em Ciências Sociais - Psicologia Social.
Ao fim de muito amor, de muito desencanto, desânimo, mas também de crescimento interior, comecei a contagem decrescente, das disciplinas em falta: quatro, três, duas…
Depois de tanta luta (as paixões, são sempre assim…) faltava apenas e só a disciplina de Psicologia Social Aplicada, que tardava a mostrar-se gentil, mas felizmente tive a aprovação e, desta feita, acabei, leram bem, acabei!
A todos os que me apoiaram e ajudaram nesta caminhada, o meu muito obrigado.
Aos colegas que terminaram os meus parabéns e votos de muitos sucessos.
Aos que continuam na caminhada, simplesmente continuem, não desanimem, lembrem-se que as paixões são sempre difíceis, senão não teriam chama…
Por fim, vou manter-me por aqui, diligente, para poder também dar apoio a quem dele necessite.

Saudações Académicas e até sempre!

terça-feira, dezembro 19, 2006

Natal


Universo

Se o homem como ser inteligente se
encontra sozinho no universo, então
segundo o critério da organização da
matéria ocupa o escalão mais elevado da
pirâmide da complexidade.

As actividades, as obras, as proezas, dos
sistemas organizados são à medida do seu
grau de complexidade e de organização.

Nesta vasta experiência de organização da
matéria, penso que difícilmente o homem
ocupa o escalão mais elevado. Assim
sendo, não somos estranhos ao universo e
estamos comprometidos com outros seres e
outras inteligências...

Carlos Lopes Natal/1996

Inclinou-se com ardor para o cálice de todas as flores para daí tirar o elemento significativo do pensamento de Deus que se encontra investido em todas as coisas e que importa, de qualquer maneira, libertar. Se a graça do poeta consiste em revelar aos homens que há uma «presença» para eles nas realidades do mundo e que estas têm alguma coisa a dizer-lhes, Jesus foi o grande poeta do mundo e foi à base duma poética profunda que Ele revelou Deus.

In “Jesus Cristo” do eminente teólogo Yves Congar (1904-1995)

terça-feira, junho 06, 2006

A roda-dos-desejos

«O meu marido quer dar ao nosso filho, que vai nascer, o nome que o meu pai me teria dado se eu tivesse sido um rapaz. Ele quer agradar-me, agradando ao meu pai, estou tão confusa, que, já não sei qual o nome que quero realmente dar ao meu filho. Vou agradar ao meu marido deixando-o agradar-me, para assim agradar ao meu pai?»
Esta roda-dos-desejos, mas mais propriamente roda-de-apropriação, permite apropiar-me dos desejos do outro, transformando-os em pedidos, que me encarregarei de satisfazer.
Apropriando-me do desejo do outro, evito ouvir e principalmente respeitar o meu próprio desejo, vivendo ao limite, por procuração, ou seja, por interpostas pessoas, sejam: os pais; o conjugue; os amigos; os filhos...
Pela apropriação, faço sempre meu o olhar do outro, deixo-me definir pelo outro, pelos seus valores, os seus medos, as suas necessidades, as suas crenças, como se me tornasse naquilo que o outro vê em mim, sem me conseguir diferenciar, sem me distinguir das pessoas, o que verdadeiramente me pertence, as reacções que lhes pertencem.
Tendo consciência, que as relações interpessoais implicam, quase sempre, alguma projecção e apropriação, e é assim, construída nesta troca de subjectividades, reformulo a necessidade de quanto melhor estivermos separados, diferenciados, melhor existimos nesta nossa ventura de vida, tornando-nos melhores companheiros para nós próprios e para os outros.

segunda-feira, maio 15, 2006

O que sentimos III

Quando deixo de tornar o outro responsável pelo que eu sinto, pelo que não está bem em mim, pelo que me acontece, apercebo-me que a perspectiva que eu tinha, como sendo um conflito exterior, é antes, um conflito interior, uma ambivalência. Assim, será então necessário aplicar bastante esforço para nos conhecermos a nós próprios, as nossas mutações e as nossas constâncias, visto, ser uma obra sempre em construção, mas, com a certeza, que ao manter um olho aberto no nosso interior irá permitir percepcionar mais longe...
Será ainda necessário identificar os limites de intolerância e de vulnerabilidade, zonas de imaturidade que, perante certos actos, certos comportamentos, fazem com que vivamos o equivalente a uma ferida ou um envenenamento. Estes pontos fazem eco das nossas carências, geralmente situadas bem longe, no passado, revivem, apoiam-se, ganham força e expressão em situações inacabadas e em que mantivemos o desejo, o sonho de completude. Deste modo, quantas humilhações ou frustrações continuam a transpirar suor, gota a gota, à superfície do comportamento, na tentativa de encontrar uma reparação, justificação ou realização, porque, e nem sempre disso temos consciência, os sentimentos são crianças frágeis, que precisam de cuidados constantes...
Ao reconhecermos os nossos sentimentos, cada vez mais depressa, na sucessão das nossas sensações, podemos escolher, podemos tentar gerir melhor o que eles provocam, isto é, aceitamos o confronto sem reservas com as nossas emoções, tomando o compromisso de fazermos sempre algo com elas.
Ao prestarmos mais atenção, ao ouvi-los de uma forma vigilante, perspectivamos melhor os sentimentos que nos engrandecem ou os ressentimentos que nos sufocam.